Fotografias & Histórias de Montanha

terça-feira, 25 de maio de 2021

Um pequeno Evereste


Vertente norte da Serra do Marão, Portal da Freita (1347m).

Detalhes do registo fotográfico:
F/5.6
1/320 seg.
6 mm
ISO-100
Câmara Panasonic Lumix DMC-FZ8


A Serra do Marão não é, definitivamente, a mais bela e selvagem serra nacional. Não é agreste e bravia, como o Gerês. Nem tão pouco possui a luxúria e a elegância da Cabreira. Não tem uma coisa, nem outra. Mas há algo que distingue o Marão de todas as outras serras - a sua verticalidade. Aqui, a terra, contorcida e fragosa, levanta-se a pino! Subir uma montanha na alcantilada vertente norte é como alcançar o topo dum pequeno Evereste. A subida é árdua. O esforço imenso.
Tanto no pequeno Evereste maronês, como sobretudo no grande Evereste da vida, o fascínio não está (nem nunca esteve) no destino final. Está, isso sim, no longo e tormentoso caminho que paulatinamente vamos trilhando. E é precisamente no momento em que o caminho se torna mais difícil, quando a constante luta entre o corpo e a mente parece irremediavelmente perdida,  que tudo faz sentido. Perante a maior das adversidades, o ser humano revela o melhor de si: uma resiliência e capacidade de superação inabalável. Há quem afirme que «a vida começa onde termina a sua zona de conforto». Não podia estar mais de acordo! E nada melhor que a desafiante verticalidade de uma montanha maronesa, para que a cada gota de suor vertida, nos relembremos do que é verdadeiramente importante: acreditar em nós próprios.


Texto e fotografia © Baltasar Rocha (Todos os direitos reservados)