Bosque de ciprestes, Serra da Cabreira
Detalhes do registo fotográfico:
F/2.8
1/15 seg.
6 mm
ISO-200
Câmara Panasonic Lumix DMC-FZ8
Desde há muito tempo que a Serra da Cabreira tem permanecido fora dos principais circuitos turísticos de montanha. Um dos motivos apontados é a sua relativa proximidade com a vizinha Serra do Gerês. Local de eleição, no norte de Portugal, para quem procura passar uns dias de férias em ambiente de montanha. Por ironia do destino, talvez seja essa proximidade uma das razões pela qual nos dias de hoje (ainda) é possível encontrar nas encostas e vales da Serra da Cabreira um frágil e harmonioso ecossistema de montanha. Um dos expoentes máximos desse valioso ecossistema é sem dúvida alguma a sua exuberante floresta. A baixa presença humana no território tem contribuído de forma decisiva para a rápida e constante regeneração dos espaços naturais da Cabreira, em particular dos seus bosques.
No entanto, ano após ano, verifica-se um crescente e sistemático recuo da extensa mancha verde que tanto caracteriza os montes da Cabreira. Desde o abate indiscriminado de árvores de grande porte, aos sucessivos incêndios de Verão, a Cabreira tem vindo a perder a essência da sua identidade. Despojada da elegância e luxúria dos seus bosques, a Cabreira inevitavelmente tornar-se-á, num curto espaço de tempo, em mais uma triste e enfadonha serra, igual a tantas outras.
Nesta minha caminhada outonal aos últimos bastiões da Cabreira, não pude deixar de sentir uma certa melancolia, originada pela saudosa recordação das primeiras deambulações por estes mesmos espaços, onde, na companhia dos amigos, desfrutei de aprazíveis e sãos momentos de convívio, absorvendo as energias puras que emanam destas florestas sagradas. Esses dias ficaram gravados na memória, assim como muitas das árvores que ali já não existem.
Texto e fotografia © Baltasar Rocha (Todos os direitos reservados)