Árvore morta envolta num manto de nevoeiro, Serra do Gerês
Detalhes do registo fotográfico:
F/5.6
1/200 seg.
9 mm
ISO-100
Câmara Sony DSC-P200
O chão encontrava-se revestido de musgo, e as árvores, uma mistura de espécies mediterrânicas e outras geralmente mais abundantes nos países do norte da Europa, levantavam-se de um colchão coberto por fetos gigantescos. Escondidos por entre a vegetação, cogumelos curiosos observavam os intrusos. A imensa diversidade da flora, especialmente no que diz respeito à botânica, torna o Vale Superior do Rio Gerês num autêntico paraíso para os Darwinistas em particular. Apesar de curto, o percurso que havíamos inicialmente escolhido revelou-se uma agradável surpresa. Decidimos alongá-lo um pouco mais. Assim que chegamos á Portela de Leonte, acabamos por ficar indecisos entre a opção de subir ao pico do Pé de Cabril (1236m), ou ao acolhedor Prado do Vidoal, localizado na vertente oposta da montanha. Apesar da relutância de alguns amigos nossos, a escolha recaiu na emocionante e sempre desafiante trepadela ao pico do Pé de Cabril.
À medida que íamos ganhando altitude, um misterioso manto de nevoeiro acolheu-nos com o seu longo e enternecedor abraço. Presença comum nas cotas mais elevadas da montanha, com especial intensidade nos dias mais cinzentos e chuvosos, o nevoeiro é muitas vezes o responsável por vários acidentes ocorridos na montanha. A dificuldade na obtenção de pontos de referência devido à reduzida visibilidade, pode tornar-se numa grande dor de cabeça! Contudo, o nevoeiro é também capaz de produzir imagens surpreendentes e misteriosas, repletas de fantasia e misticismo. A progressão, tal como seria de esperar, era feita de uma forma lenta e hesitante. E o nevoeiro, esse, continuava adensar-se cada vez mais, fazendo com que a visibilidade se tornasse praticamente nula. Para a maioria de nós, a situação em que nos encontrava-mos causava, mais do que qualquer outra coisa, desconforto e insegurança. Conversamos um pouco e decidimos recuar, regressando a Leonte, de onde retomamos o trilho inicial.
A falta de bom senso e a consequente tomada de más decisões, pode, inclusive, colocar a própria vida em risco. Em ambiente de montanha e com condições climáticas adversas é absolutamente fundamental manter a calma e o discernimento. Reconhecer as nossas próprias debilidades, mantendo-nos humildes e respeitosos num meio que, ao fim e ao cabo, não é o nosso, são factores determinantes que acabaram por conduzir-nos a um dia (muito) bem passado, usufruindo dos prazeres que só as montanhas podem proporcionar, em total segurança.
Fotografia © Mário Marinho (Todos os direitos reservados)
Texto © Baltasar Rocha (Todos os direitos reservados)