Entrada no Vale do Rio Teixeira, Serra do Gerês
Detalhes do registo fotográfico:
F/5.6
1/500 seg.
6mm
ISO-100
Câmara Panasonic Lumix DMC-FZ8
Tínhamos planeado uma jornada de travessia na Serra do Gerês. Escolheramos um local isolado e pouco frequentado pelos novos turistas de montanha. Mas um inesperado contratempo forçou-nos a alterar os planos. Resignados (mas não necessariamente vencidos), acabamos por sair do turístico Parque de Campismo do Vidoeiro seguindo as marcações de um percurso homologado. O traçado do percurso desenvolve-se por antigos carreteiros de montanha, ainda hoje utilizados pelos pastores locais para aceder aos prados de altitude (também chamados de currais). Depois de uma extenuante subida, chegamos finalmente ao primeiro prado. E que belo prado ali estava para nos acolher! O chão encontrava-se atapetado por uma infinidade de lindas flores silvestres. A carismática Quita-Merendas (Merendera Montana) é uma presença habitual nos prados, sobretudo no Outono, com a chegada das primeiras chuvas. Era sem dúvida alguma o local ideal para tomarmos o pequeno-almoço e saborearmos um delicioso café da manhã.
Seguindo na direcção norte, rumamos ao Vale do Rio Teixeira. Para além de ser um dos nossos locais predilectos em toda a Serra do Gerês, tínhamos uma ténue esperança de encontrar o vale só para nós... Puro engano. No trajecto que liga o Prado da Lomba do Vidoeiro aos prados localizados ao longo do Vale do Rio Teixeira, cruzamo-nos com imensas pessoas. Enquanto umas iam num passo visivelmente acelerado (praticantes de Trail-Running), outras andavam de forma descontraída e aparentemente errante pelo vale. Mas essas presenças (ao contrário do que estávamos á espera) não eram de todo incomodativas. Muito pelo contrário. A boa disposição reinava, dizendo e ouvindo com um sorriso nos lábios muitos "Bom-dia!". Ao contrário do que se sucede nos meses de Verão, com a constante presença de gente no vale, não havia lixo no chão, nem as pressas e os atropelos provocados por uma frenética procura por pequenos charcos de água. Quem por ali andava tinha ido única e exclusivamente ao encontro da tranquilidade que apenas se encontra neste tipo de ambiente. Nitidamente, a montanha voltava a ser acarinhada por quem nela não procura mais que um simples e fugaz momento de deslumbramento.
Apesar das coisas não terem corrido conforme o planeado, a verdade é que mesmo assim não deixamos de desfrutar de um belo dia de montanha, apreciando com a devida calma e serenidade da majestosidade e o silêncio reinante do imenso Vale do Rio Teixeira. Sem pressas ou atropelos.
Texto e fotografia © Baltasar Rocha (Todos os direitos reservados)