Vertente sudeste da Serra do Larouco
Detalhes do registo fotográfico:
F/6.3
1/400 seg.
22 mm
ISO-100
Câmara Panasonic Lumix DMC-FZ8
Segundo os investigadores, a origem do topónimo Larouco deriva de um antigo culto pagão associado ao Deus Larouco, uma divindade do panteão Celta, também conhecido como deus do trovão, da metalurgia e da fertilidade. Apesar do culto pagão ter sido substituído pelo cristão, a verdade é que ainda há relativamente pouco tempo atrás, jovens dos dois lados da raia reuniam-se no cume da montanha para homenagear o Deus Larouco, numa tentativa de avivar a memória de uma cultura ancestral, intrinsecamente ligada à Natureza e fortemente enraizada nos usos e costumes das gentes locais.
Ainda mal acabávamos de dar os primeiros passos, e já pressentíamos que não podíamos ter escolhido uma melhor altura para a subida ao cume do Larouco (1525m). O dia apresentava-se soalheiro, mas no céu pairavam nuvens carregadas, tornando o cenário mais tenebroso e espectacular. Os montes do Larouco voltavam a ganhar vida, despontando do longo e rigoroso inverno barrosão. A Primavera chegara com uma pujança invejável, e a erva quase que parecia engolir os montes. As encostas da montanha encontravam-se densamente cobertas por erva viçosa e espessa, e as flores carregavam os montes de cor. As manchas de urze a carqueja encontravam-se em plena floração, e cada uma delas estendia o seu manto, salpicando a paisagem com o seu colorido.
Depois de uma árdua subida (decidimos abandonar o confortável caminho florestal e subir em corta mato a íngreme vertente sudeste da serra), atingimos o cume da montanha. E mesmo aqui, já bem perto da cota dos 1500m, o jardim do éden continuava, com pequenas flores silvestres a atapetar o solo. O marco geodésico do Larouco estava ali mesmo, a uns escassos metros, mas as vistas, essas, prolongavam-se para longe, bem longe! Do cume do Larouco todas as outras montanhas parecem perder toda a sua imponência e altivez. Ourigo, Barroso, Cabreira, Gerês, Soajo e Peneda, surpreendentes, misteriosas, selvagens e bravias quando caminhamos no seu seio materno, do topo do Larouco não passam de pequenos e enfadonhos montes, prostrados diante de um perfil austero e dominador: o Larouco.
A descida acabou por ser efectuada num bom ritmo, e a aldeia de Gralhas ali estava para nos acolher, preguiçosamente estendida no perfumado e florido planalto barrosão. Quando fomos a dar conta, estávamos já a percorrer as vielas da aldeia, parando aqui e acolá para os já habituais 2 dedos de conversa com as gentes locais. E que dizer daquelas bejecas geladinhas, atenciosamente servidas no café local e devidamente acompanhadas com tremoços e amendoins salgados? Souberam-nos divinamente! Um final de dia perfeito, em mais uma jornada pelas místicas terras barrosãs.
Texto e fotografia © Baltasar Rocha (Todos os direitos reservados)

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