Campina serrana (mosaico agro-silvo-pastoril), Serra da Mourela
Detalhes do registo fotográfico:
F/5.6
1/400 seg.
6 mm
ISO-100
Câmara Panasonic Lumix DMC-FZ8
"Conta-se que, quando os mouros foram expulsos pelos cristãos das terras do norte, havia uma mulher moura que estava grávida e que teve as dores de parto no momento da fuga. Escondeu-se, por isso, numa gruta para puder ter o filho. Todos os mouros foram embora, mas ela ficou naquela gruta para criar o filho, e o povo diz que durante muito tempo se ouviu a moura a entoar bonitas canções de embalar. A gruta ficou assim conhecida como a Pedra da Moura, e a serra onde ela está situada é a Serra da Mourela. Fica entre as aldeias de Pitões das Júnias e Tourém, no concelho de Montalegre."
Desligo o computador e já não quero saber de mais nada. Estava lançado o mote para mais uma incursão ao sempre belo (e místico) Barroso. Porém, a verdade é que acabei por não encontrar a gruta da Pedra da Moura. Mas como poderia eu encontrá-la, quando nem sequer me dei ao trabalho de a procurar! Não tinha propriamente um plano definido, um trilho a seguir. E tão pouco me lembrei de levar a carta militar, quanto mais um desses dispositivos electrónicos com sistema GPS integrado. Caso não encontrasse a benfazeja gruta, paciência. Seja como for, o que tinha em mente e o que realmente pretendia, era pura e simplesmente voltar a caminhar na montanha, sentir uma vez mais o aconchego do seu abraço, depois de um longo e forçado período de ausência.
Contrariamente ao que é usual, em vez de atirar-me freneticamente ao encontro da ansiada aventura, desta vez optei por caminhar de forma serena e totalmente descomprometida, vadiando fortuitamente por entre a imensidão dos céus e das montanhas. E foi assim, sem nada pedir e quando menos esperava, que a Mourela, quente e desanuviada, veio ter comigo. E então pude finalmente tocá-la na fragilidade dos seus campos de algodão, enterrar-me até aos tornozelos na terra húmida e balofa das suas turfeiras, ouvindo o sussurro do vento que, ao passar de mansinho nas aplanadas encostas da montanha, ia delicadamente penteando as viçosas searas da campina serrana... Assim é a Mourela. Uma serra que nos faz sonhar, acordados! Delírios de um eterno andarilho na mais pura e solene entrega à Natureza, à vida ao ar livre? Com certeza que sim!!! Ou será que esses supostos delírios mais não são que a vivência de um sonho tornado realidade? Um sonho que abrolha e floresce a cada nova incursão a esse lugar misterioso, divino, e infinitamente belo: a Montanha.
Texto e fotografia © Baltasar Rocha (Todos os direitos reservados)
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2 comentários:
O verdadeiro espírito da montanha...indo por onde as botas me levam...ininterrompido pela loucura do mundo humano.Abraço.
Se há montes que não devem ser percorridos em passo acelerado, são os montes da Mourela. E nada melhor que colocar lá as botas na Primavera, quando os diferentes tipos de matos encontram-se em plena floração.
Obrigado amigo Alexandre pela visita ao blog.
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