Melancolia ribeirinha, Ribeira da Póvoa, Serra do Marão
Detalhes do registo fotográfico:
F/2.8
1/50 seg.
ISO-100
6 mm
Câmara Panasonic Lumix DMC-FZ8
Ainda o sol não tinha raiado e já arrepiáva-mos caminho pelas ondeantes encostas da vertente sul da Serra do Marão. Seguindo o rasto de seculares trilhos de pastoreio, fomos ao encontro do curso de algumas levadas, penetrando em bosques praticamente virginais. Deambulamos pelas ruínas de antigos complexos mineiros e ainda tivemos o tempo e a audácia para encetar a subida a alguns dos mais altaneiros cumes do Marão. Estávamos exaustos... mas ao mesmo tempo felizes. Com as pernas bem moídas depois de um longo dia de caminhada árdua e tecnicamente exigente, a verdade é que já só pensávamos em chegar ao carro e descalçar as botas, quando, numa curva do caminho, deparamo-nos com este velho moinho.
Testemunho petrificado de tempos idos, o moinho encontra-se perfeitamente embutido numa paisagem ribeirinha inundada de doce e terna melancolia. Ao seu lado, um antigo carreteiro de montanha irrompe por uma luxuriante floresta ripícola, onde as indomáveis águas da Ribeira da Póvoa, saltitando de pedra em pedra, murmurando por entre os rochedos, correm em direcção ao Tâmega.
É precisamente na incessante busca de lugares como este, autênticos e incorruptíveis, que um punhado de aventureiros insiste em romper por trilhos há muito ignorados e irremediavelmente votados ao abandono e esquecimento. Perseguindo uma quimera inútil e sem fim à vista, devoram léguas atrás de léguas e vão conhecendo uma infinidade de terras, procurando assim o único alimento capaz de lhes saciar a fome: a palpitante experiência da descoberta.
Texto e fotografia © Baltasar Rocha (Todos os direitos reservados)

