Formações geomorfológicas, Serra D'Arga
Detalhes do registo fotográfico:
F/5.6
1/250 seg.
6 mm
ISO-100
Câmara Panasonic Lumix DMC-FZ8
Aquando da última caminhada por estas bandas fiquei verdadeiramente surpreendido por encontrar no coração do Minho este desconcertante amontoado de pedra e rocha. Aqui, deparamo-nos com um Minho diferente daquele a que estamos normalmente habituados: um Minho com menos milho, menos couves, menos erva, menos videiras, um Minho menos... verde? Ao invés, pisamos terra nua. Enquanto que os conterrâneos de altitudes menos elevadas lavram terra fértil e irrigada, aos de Arga não resta outra solução senão conduzir o gado serra acima, ao encontro das chãs. Lá, os animais obtêm finalmente o merecido repasto, e em certos locais, como que por capricho de forças que nos escapam, um esplendoroso manto verde irrompe por entre a áspera penedia, e a água, fria e pachorrenta, vai abrindo o seu caminho ao longo das turfeiras e charnecas do planalto serrano.
A quentura típica das coloridas e festivas aldeias minhotas, esfuma-se perante tacanhas habitações de granito. Aqui, o minhoto, não me parece pequeno e muito menos castiço. Altivo, um tanto ou quanto carrancudo, cobre-se com uma capa de burel e em vez de uma estridente concertina maneja um tosco cajado de pau. Será que por estas bandas, fortemente impregnadas de uma religiosidade mais postiça do que verdadeiramente sentida, encontramos o arquétipo de um Minho que até hoje não chegou até nós?
Texto e Fotografia © Baltasar Rocha (Todos os direitos reservados)

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